Era uma vez... Sim, era uma vez um rapaz como tantos outros. Um rapaz moreno de olhos castanhos que sonhava em ser grande um dia, alcançar tudo aquilo que pediu e que desejou para si, chegar à maturidade e poder seguir o seu caminho, com os pés bem assentes no chão. Será que conseguiu chegar lá? É essa a história.
Então a história começa assim: Era uma vez um rapaz (sim, o rapaz do inicio) que começou a vida de uma maneira complicada. Nasceu num dia difícil, num dia de festa mas o dia não era propriamente de festa para aqueles que mais perto se encontravam dele. Foi bastante duvidado pelos seus próximos mas acabou por sair para o mundo, para o conhecer e, como aconteceu e acontece a tantos outros, para festejar e sofrer nele. Esse rapaz cresceu rodeado por apenas poucas pessoas, sem saber nunca o que era a felicidade ou o amor, e conhecendo apenas a falsidade da relação em que vivia, do fingimento que era duas pessoas pretenderem que se amam, apenas para o fazer feliz. Mas este rapaz conseguiu perceber desde cedo que tudo aquilo que o rodeava não era aquilo que o queriam fazer ver, aquele amor e ternura falsos depressa se tornaram em discussões, em brigas e em pesadelos, depressa todo aquele "mundo cor-de-rosa" se tornou num mundo escuro e frio.
No entanto, este rapaz depressa se habituou, depressa se acostumou a viver de maneira diferente, a ser visto como um coitadinho, a que tivessem pena dele. Nunca foi isso que ele pediu... Ele só queria ser visto como os outros rapazes, queria ser normal e ter uma vida normal, queria ter uma família unida com quem ele pudesse contar sempre e poder passar os natais e as festas. Porém, tudo aquilo que pediu em miúdo, nunca foi aquilo que ele recebeu. Se foi uma criança infeliz? Não, nunca foi. Aprendeu desde cedo a agarrar-se àquilo que lhe dava força, aqueles pequenos rasgos de felicidade que ainda ia conseguindo saborear.
Este rapaz entrou para a escola, como todos os outros rapazes. Foi considerado um rapaz inteligente e calmo, foi considerado brincalhão e bom amigo. E foi por causa da ultima que desde cedo o rapaz conseguiu fazer bastantes amigos, alguns dos quais já não sabe nada e outros que o ajudaram e continuam a ajudar a manter-se de cabeça erguida e que o acompanharam ao longo de todos esses anos. Foi por estes que nunca se foi abaixo, foi por eles que fez e faz tudo e são eles uma grande parte da sua felicidade.
O rapaz, que já foi menino, cresceu e cresceu e atingiu a maioridade. Chegou aos 18 anos, sem nunca se sentir grande, sem nunca se sentir um homem, foi sempre um rapaz. Conseguiu alcançar a paz ao lado da sua progenitora, lutando sempre a seu lado para conseguirem aquilo que queriam: um pouco de paz e felicidade. Foi a partir daí que o rapaz se sentiu preparado para dar o salto, sentiu que precisava de alguém para partilhar todos estes momentos, toda esta felicidade, alguém que pudesse estar sempre lá, alguém que o amasse.
Partiu em busca daquilo a que chamam de amor, partiu à procura desse sentimento tão falado por toda a gente, esse sentimento que ainda só tinha adquirido por parte de uma pequena parte da família e pelos seus amigos. Se o encontrou? Sim, encontrou-o. Se se arrepende de o ter encontrado? Não, porque não se arrepende de nada. Se sofreu com ele? Sim, imenso. Passou por todo o tipo de coisas, conseguiu ter alguns dos melhores momentos da sua vida, conseguiu ser magoado milhentas vezes. Sentiu-se no topo do mundo, mas sentiu-se quase sempre no fim dele. Foi amado e odiado, foi perdoado e traído, foi espezinhado e usado, foi humilhado e trocado. Porém o rapaz aprendeu que tudo o que lhe tinha acontecido e tudo o que lhe acontecia diariamente, acontecia por algum motivo. Aprendeu a aprender com aquilo que mais lhe doía e a ser a cada dia que passasse, um rapaz melhor.
O rapaz, jovem adulto, sabe hoje que deve rir-se do passado, do presente e do futuro. Sabe quem são as pessoas realmente importantes na sua vida. Sabe o que é amar mas nunca aprendeu a odiar. Sabe tirar proveito de todos os pequenos prazeres da vida. Enfim, apesar de ter sido uma vida curta e estranha, o rapaz aprendeu a amá-la como sua.
O rapaz, o tal rapaz sonhador, continua e continuará sempre a sonhar, porque a vida dele não pára e, no dia em que parar o rapaz que aí já será homem, quer poder olhar para trás e sorrir, enquanto todos os momentos da sua vida lhe irão passar à frente, como um flashback.
Sim, como devem adivinhar, o rapaz de quem falo sou eu. Mas o rapaz do passado, esse aí já morreu.
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